No Brasil, os liberais econômicos (no sentido britânico de partidários do mercado livre) são tão escassos como flocos de neve, afirma a publicação inglesa The Economist (The almost-lost cause of freedom, 28/1).
A revista assinala que as receitas do governo brasileiro em relação ao PIB (Produto Interno Bruto) atingiram um patamar próximo do dos europeus, mas nenhum dos prováveis candidatos às eleições presidenciais de outubro tem entre suas metas a redução de impostos.
A publicação considera estranha a aversão brasileira ao liberalismo econômico, dada a história brasileira recente. No Chile, afirma, o regime ditatorial foi atrelado ao liberalismo, o que tornou a palavra suspeita a seus opositores; mas aqui, os militares implantaram um modelo econômico baseado no planejamento estatal e nas restrições às importações.
Por outro lado, muitos dos atuais líderes políticos brasileiros desempenharam um papel na oposição ao regime militar, uma resistência intelectual - e às vezes violenta - que era dominada por vários tons de pensamento de esquerda, temperada com anti-americanismo (os Estados Unidos saudaram o golpe de 1964 que levou os generais ao poder), explica a revista.
Mas o cenário não é assim tão ruim, observa The Economist. Entre os bons exemplos, o Banco Central é independente na prática, e o real flutua livremente contra outras moedas. Além disso, desde que o presidente Fernando Collor diminuiu as restrições às importações, em 1990, o Brasil se tornou mais aberto ao comércio.
Assim como na Índia, que viu uma abertura semelhante ao mesmo tempo, as empresas têm melhorado a produtividade como resultado da concorrência estrangeira, e algumas grandes empresas se expandiram com sucesso no exterior. Além disso, o Brasil está entre os países mais liberais do mundo em termos sociais - The Economist cita a completa liberdade religiosa e "a maior parada gay do mundo" como exemplos.
O que falta, para a publicação, é um ambiente político onde opiniões econômicas liberais também possam florescer. Enquanto isso não acontece, The Economist recomenda que, "por enquanto, as pessoas que queiram praticar o liberalismo econômico são aconselhadas a fazê-lo em particular".