Mesmo depois de uma década de forte crescimento, o grupo dos BRICs - Brasil, Russia, India e China - não tem ainda poder suficiente para tomar o bastão da liderança econômica mundial das mãos dos países desenvolvidos. A opinião é do jornal britânico Financial Times em reportagem apresentada no site FT.com (Brics: The changing faces of global power, 17/1/10).
O jornal londrino compara a emersão dos Estados Unidos como líder mundial após a 2ª Guerra Mundial com o papel assumido pelos países em franco desenvolvimento.
Assim como o momento de reconstrução da economia mundial vivido no pós-guerra, o processo de superação da crise financeira mundial vivido nos últimos meses seria uma oportunidade para que os os emergentes invertessem o jogo da "arquitetura financeira global". Para o jornal, porém, os BRICs não estão preparados para essa virada. E indica dois motivos: a dependência desses países de demanda externa e suas divergências políticas.
"Os Brics são um grupo tão díspar que quase toda generalização é problemática, mas a China, o membro que domina o quarteto, ainda parece muito ligada a um modelo econômico dependente da demanda externa", diz o texto.
A análise lembra ainda a história do progresso rápido vivido por esses países. "Uma década atrás, só um deles tinha grau de investimento; agora, todos têm. Há apenas 12 anos, a Rússia pedia moratória e as constantes crises brasileiras sacudiam a economia mundial. Hoje, eles têm uma vasta reserva cambial."
Para a publicação, o grupo, ou alguns dentre eles, “pode ter surpreendido o mundo com o seu progresso ao longo dos últimos dez anos. Mas isso exigirá uma melhoria qualitativa, bem como de mais crescimento para consolidar essa mudança de poder”.